da chegada das caravelas

17
Set 15

 

 

(...) o contributo da Igreja para a causa da independência antecede este período: o contributo fundamental foi forjar a própria identidade timorense que, ao longo dos séculos e no contacto com esta, se foi moldando na diversidade dos nossos antepassados, das nossas culturas e tradições e que depois, durante 24 anos de muita violência, se viu reforçada pela absoluta convicção da justiça da causa da independência, da liberdade e da soberania do nosso povo. De facto, o que nos distingue efetivamente dos nossos países vizinhos, dos seus povos e culturas é precisamente o resultado do contacto com a Igreja e os seus missionários, portugueses, os quais contribuíram inquestionavelmente para a emergência de uma identidade própria e diria mesmo única nesta nossa meia ilha do sudeste asiático.

  

E para falarmos do começo, da chegada do cristianismo e do catolicismo à ilha de Timor, temos de falar dos portugueses e do enclave de Oe-cusse, temos de falar que há 500 anos atrás missionários portugueses desembarcaram em Lifau e marcaram na nossa história um dos aspetos fundadores e diferenciadores de Timor-Leste – a religião católica – religião professada por 96,9% da população do país, de acordo com o censo de 2010.

A chegada dos portugueses foi pois, e em primeira instância, a chegada de uma nova religião, abraçada e apropriada muito antes da própria colonização do território.

 

Como se sabe, a chegada dos portugueses ao território de Timor em 1515 não se traduziu no início da colonização da ilha, a qual efetivamente só veio a ocorrer alguns séculos mais tarde. Note-se que a chegada do primeiro governador português, António Coelho Guerreiro, ocorreu apenas em 1702, e aí sim se verifica o início da implantação de uma muito pequena estrutura governativa, administrativa e militar. E é de facto muito interessante notar, de acordo com literatura histórica disponível, que aquando da chegada do primeiro governador já uma parte da aristocracia de Timor se encontrava convertida, com nome cristão e português. Quero com isto salientar que o cristianismo não entrou na nossa cultura e na nossa história pelas armas e pela imposição, mas sim fruto de rotas comerciais estabelecidas que tinham no sândalo um bem a explorar, e que permitiu que homens, imbuídos de verdadeiro espírito de missão, chegassem e percorressem o interior do nosso território para evangelizar em nome de Portugal.

 

Menciono este facto porque o julgo fundamental para explicar a forma como a cristianização foi bem acolhida em muitos dos reinos existentes na Ilha, e como a presença da Igreja, através das ordens religiosas, começa a sua história e relação com os povos de Timor antes de qualquer poder colonial se impor no território. Na perceção dos Senhores Padres João Felgueiras e José Martins, registada no livro as “Nossas Memórias de Vida em Timor”, “o cristianismo veio elevar, dignificar e enriquecer o que já palpitava na natureza do povo timorense, isto é, o cristianismo ao chegar encontrou um povo com o sentido de Deus (Maromak) e sentido de Sagrado (Lulik)”. (...)

 

 

 

publika husi sapotl às 12:20

Setembru 2015
Dom
Seg
Ter
Kua
Kin
Ses
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
18
19

20
22
23
24
25
26

27
28
30


arkivu
tags

tags hotu-hotu

konaba ba ha'u
Peskiza
 
blogs SAPO