da chegada das caravelas

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Set 15

 

 

Lifau, cuja palavra significa Mar de Gente, é um porto do Oecussi, situado nas margens da foz da ribeira Lifau que ao longo dos séculos foi um porto chave na rota do sândalo.

 

O salutífero e cheiroso sândalo como o adjectiva Luís de Camões em Os Lusíadas, era também comerciado em Lifau. Salutífero porque a raíz do sândalo era usada como medicamento e cheiroso porque era queimado nos templos hinduistas e budistas. Segundo as contas dos Jesuítas, por volta do século Vll ou Vlll, chegaram às praias de Lifau, oriundos do reino de Bé Hali, cinco forasteiros: Tá'e Baria, Liulai Sila, Somba'i Sila, Afo'an Sila e Benu Sila, todos irmãos menos o primeiro.

 

Dividiram entre si, na melhor concórdia, toda a ilha de Timor. Benu Sila ou Ambenu ligou o seu nome ao território que ficou conhecido como Ambeno. Séculos depois dos Silas, chegaram os portugueses e holandeses. Em terras de Silabão, que quer dizer a terra dos cinco silas ou mandamentos budistas, recordava-se Achoka, o primeiro rei que num edicto histórico proibiu a guerra por a considerar incompatível com a condição humana.

 

Em finais do século XV, o império budista de Madjapahit caiu sob o poder dos maometanos árabes de Marrocos, tendo-se os budistas refugiado nas Ilhas da pequena Sonda ou Sonda Menor como Lombok, Flores, Timor e Ceram onde prevaleciam ainda as religiões arcaicas dos povos autóctones.

 

Estes núcleos de budistas e mais tarde também de cristãos, viveram até finais do século XIX entre estes povos. Em 1511, Afonso de Albuquerque conquista Malaca e ao dominar os estreitos de Malaca, acabou com a talassocracia árabe no Oceano Índico. João de Barros, na sua obra intitulada Ásia, conta que criados por Afonso de Albuquerque com o propósito de estabelecerem uma ponte com as comunidades locais, os casados desligavam-se do estatuto de soldados e armavam os seus próprios navios. Estes soldados e navegadores portugueses de Malaca, Goa e Macau, casados com mulheres timorenses, deram origem aos luso-descendentes, então chamados de portugueses negros ou  Tupasi.

 

Estes mercadores portugueses que contraíram matrimónio com mulheres da Ilha de Timor, deram origem a numerosas famílias, entre as quais  se salientaram os Costa, os Fernandes e os Hornay que viriam a desempenhar ao longo da história de Timor papéis de grande relevo, quer combatendo os corsários holandeses durante o domínio de Portugal pelos Reis de Espanha, quer no longo período que precedeu a instituição do poder civil, no início do século XVIII sob o comando do governador pernambucano António Coelho Guerreiro, que segundo o seu biógrafo, Gregório Pereira Fidalgo, “cometeu feitos dignos de memória desde Pernambuco onde nasceu até à Pérola do Oriente(como ele designava Timor)”.

 

Os Tupasi constituíam uma burguesia ligada ao comércio do sândalo e que falava o português e o tetum no seu dia a dia. O vocábulo Tupasi ou Topasses é oriundo do dravidiano e significa simultaneamente, intérprete e cristão, isto é, alguém que possui a capacidade de estabelecer a comunicação, não só entre povos diferentes como entre grupos religiosos distintos.

 

Quando os Portugueses chegam a Timor, surgem aos olhos dos povos das ilhas da pequena Sonda como aliados capazes de assegurarem, pelo potencial bélico e pela inventividade, a sua defesa. Pela distância a que se achavam, os Tupasi organizaram-se militar e administrativamente do que resultou um permanente conflito de interesses que ao longo dos séculos os opôs à Coroa de Portugal e à Coroa da Holanda.

 

Dois eurasiáticos, António de Hornay e Mateus da Costa eram dois dos concorrentes à liderança. A rivalidade criada para conseguirem a liderança, alastrou aos soldados portugueses, aos comerciantes macaenses, aos desertores holandeses e aos contrabandistas chineses. A administração militar portuguesa só muito tardiamente, em 1912, conseguiu pacificar uma população mestiçada cuja elite quis, ao longo de séculos, tomar as rédeas do comércio do tabaco, do café e do sândalo nas suas mãos e que se habituara a governar um território em que os centros de decisão se achavam a maior parte das vezes, muito distantes: em Goa, Macau, Brasil ou Lisboa.

 

Fonte: : Joana Ruas 

 

publika husi sapotl às 11:52

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