da chegada das caravelas

26
Nov 15

Por António Sampaio (Agência Lusa)

 

Os investimentos que estão a ser feitos em Oecusse são a concretização de um sonho para os timorenses e uma recompensa para o povo do enclave que nunca abandonou a luta pela independência, disse hoje o Presidente da República.


 

"É uma grande conquista para nós, 500 anos depois. Este sítio, Oecusse, junta portugueses e timorenses, novamente aqui, para festejar o início de um grande projeto, de um grande sonho dos timorenses e em particular do povo de Oecusse", disse Taur Matan Ruak em declarações à Lusa.

 

"É uma forma também de recompensar os esforços e dedicação deles. Sempre se mantiveram firmes e determinados, lutando lado a lado com a parte maior de Timor para a independência. É um povo que tem um esprito, um nacionalismo, um patriotismo incomparável", afirmou.

 

Taur Matan Ruak falava à Lusa depois de visitar a nova central elétrica de Sacato, em Oecusse, onde chegou hoje para participar nas cerimónias dos 500 anos da chegada de portugueses a Timor-Leste e do 40.º aniversário da proclamação de independência. "O passado serve de referência, de lição, para encarar o presente e buscar o futuro melhor para o nosso povo e nosso país", disse.

 

O chefe de Estado visitou a central acompanhado do presidente do Parlamento Nacional, do primeiro-ministro Rui Maria de Araújo e do responsável da Região Administrativa Especial e da Zona Especial de Economia Social de Mercado (ZEESM) de Oecusse-Ambeno, Mari Alkatiri.

 

A central é um dos projetos implementados pela ZEESM, num modelo que está a ser testado em Timor-Leste e que inclui novas formas de realizar obras públicas, com mais fiscalização, e projetos integrados de desenvolvimento.

 

"Estamos a aprender e a perfeição busca-se ao longo do próprio processo de desenvolvimento, sobretudo numa altura de grande competição entre os países que procuram atrair investidores para os seus países. E Timor não quer perder neste jogo, nesta grande competição entre os países", afirmou Taur Matan Ruak. "Este é um projeto-piloto que pode ser replicado. Tudo vai depender da forma como vamos gerir e desenvolver este projeto aqui", disse.

 

Taur Matan Ruak relembrou que há outros "polos de desenvolvimento", como os da costa sul no setor petrolífero, mas que é necessário um "equilíbrio" entre o desenvolvimento das zonas urbanas e das zonas rurais onde ainda há problemas.

 

Várias outras individualidades, que estão em Oecusse para as comemorações de 27 e 28 de novembro, visitaram também a central que está já a garantir todo o fornecimento elétrico ao enclave.

 

"Parabéns por este projeto que traz grandes benefícios ao povo de Oecusse", disse, ao lado de Mari Alkatiri.

 

A central, que começou a ser construída em fevereiro de 2015 e tem uma capacidade instalada de 17 MW, está a funcionar apenas com um dos quatro motores, com um outro de reserva para o caso de haver problemas. Esse motor é suficiente para a procura atual que atinge um máximo de 2 megawatts, como explicou à Lusa Tapio Ostman, responsável pela construção da unidade.

 

Com um orçamento de 37 milhões de dólares a central foi construída pela empresa PT Wartsila Indonésia, uma sociedade do grupo finlandês Wartsila, que no passado dia 13 assinou com a ZEESM um contrato de operação e manutenção durante 5 anos.

 

Findo esse contrato, a ZEESM analisará se renova ou não a concessão com a Wartsila, que vai formar já equipas timorenses, ou se a entrega a outros gestores.

 

O consumo da região deverá aumentar significativamente quando estiverem a funcionar outras infraestruturas já a ser construídas, nomeadamente o aeroporto que, por si só consumirá cerca de 4 megawatts.

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