da chegada das caravelas

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Nov 15

Objetos, incluindo uma bandeira nacional, documentos e material gráfico integram uma exposição inaugurada ontem em Díli e no enclave timorense de Oecusse, que recorda os 500 anos de laços entre Portugal e Timor-Leste.


 

Epifânio Sarmento @SAPO TL


O aniversário, que vai ser assinalado no dia 27 de novembro com a inauguração de uma caravela em bronze na praia de Lifau, em Oecusse - onde chegaram os navegadores portugueses - coincide ainda com o 40.º aniversário da proclamação unilateral da independência de Timor-Leste, assinalado a 28 de novembro.

 

A exposição foi inaugurada ontem paralelamente em Díli, no Arquivo e Museu da Resistência Timorense (AMRT) e em Oecusse, no Centro de Aprendizagem e Formação Escolar de Timor-Leste (CAFE), onde está também a decorrer ainda uma feira do livro.

 

A iniciativa conta com o envolvimento do AMRT, do Arquivo Nacional timorense, da Secretaria de Estado Arte e Cultura, Fundação Mário Soares e Fundação Oriente.

 

"Uma exposição que celebra um encontro ocorrido no século XVI e que marcou determinadamente Portugal e Timor durante 500 anos", como recordou Antoninho Baptista Alves, diretor do ARMT.

 

"Homens e mulheres, filhos dos seus tempos e de cada uma das épocas que viveram, que contribuíram como pontos de entendimento que são hoje um marco na identidade de ambos os países", sublinhou.

 

Timor-Leste, disse, herdou a língua e o catolicismo e "tantos outros sinais", alguns dos quais estão hoje à guarda do ARMT e do Arquivo Nacional.

"Um recurso para aprender e ensinar. Que sejamos todos conhecedores da nossa história. Que defendamos todos, o conhecimento e a procura do que somos nós e outro. Que esse conhecimento seja a base da tolerância e do entendimento", afirmou.

 

Dionísio Babo, ministro da Administração Estatal e ministro de Estado, Coordenador dos Assuntos da Administração do Estado e da Justiça, recordou a importância dos laços entre Portugal e Timor-Leste.

 

O ministro destacou o impacto da religião e da língua portuguesa e que Timor-Leste hoje assinala "não apenas para olhar para o passado" mas para reconhece elementos centrais da sua identidade, que hoje importa vincar.

 

"O timorense sente muito orgulho no seu passado. E isso é pertença de todas as gerações. Muitos ainda pensam que valeu a pena essa interação que os nossos antepassados formaram e que até hoje conseguimos manter", afirmou.

 

Manuel Gonçalves de Jesus, embaixador de Portugal em Díli, quis recordar os "timorenses que participaram na luta" pela libertação de Timor-Leste.

 

Para o diplomata, a relação entre Portugal e Timor-Leste foi feita "pela grandeza de alguns momentos", mas também por outros gestos que "conseguiram criar uma convivência e consenso" que permite "recordar o que ficou de melhor".

 

"Inicia-se um novo ciclo da história de Timor. E um novo ciclo de desafios para nós portugueses na cooperação", afirmou.

 

Alfredo Caldeira, da Fundação Mário Soares, uma das entidades que se associaram para a exposição, disse que a mostra evoca pontos essenciais da relação entre os dois países, incluindo o impacto da introdução do catolicismo em Timor-Leste.

 

"Isso ajudou a moldar de alguma forma a identidade do povo de Timor-Leste", disse, recordando que os dois países vivem hoje em liberdade, tendo conquistado a democracia.

 

Coube a Eugénio Sarmento, chefe tradicional de Soibada, a leitura de um poema tradicional a recordar os laços históricos entre os dois países, vincados nos laços entre as monarquias, a fé católica e o misticismo do ‘lulik', o sagrado do animismo timorense.

 

"Timor resulta não da conquista pelas armas mas pela obra religiosa e política pelos missionários", disse.

 

A par da exposição, foi editado um catálogo que recorda alguns dos aspetos mais marcantes dos últimos cinco séculos de relação, com texto de Paulo Jorge de Sousa Pinto.

 

@Lusa

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